Paths of Hate ( 2010 )

•20 de agosto de 2012 • Deixe um comentário
Fatalmente somos humanos e isso inclui dois gumes da mesma sina, para o melhor de nós e para o pior. Será que realmente demônios de puro ódio coabitam nosso âmago, lado-a-lado com a nossa capacidade criadora e de amar ?
“Paths of Hate” é um curta polonês, Platige Image, daqueles que retira os limítrofes açucarados de nossas almas e liberta os cachorros sedentos de destruição e ódio. Em 10:30′ ele dança por aquilo que fragmentado seriam apenas pedaços caricatos do “ser” humano e costura-os um sobre o outro
Damian Nenow
Sendo o terceiro curta do diretor Damian Nenow ( Great Escape(2006), The Aim(2004) )  que em próprias palavras queria demonstrar o âmago da mensagem muito mais que apenas um exibicionismo técnico. Diga-se de passagem para a (in)felicidade do diretor isso não foi deixado de lado e a direção de arte tomada ainda em sua fase inicial(2006) – resultando no primeiro trailer – utilizou uma técnica semelhante ao cel-shading que hoje ficou popularizado em jogos eletrônicos como Borderlands (2k) e
Catherine(Atlus) onde a animação 3D foge do fotorealismo e simula um estilo feito a mão.
Essa decisão, mais do que acertada, atinge a sutil significância junto ao tema do curta, e desenha no ar os caminhos(em inglês: paths) dos dois caças de guerra da segunda guerra mundial.
Caças esses cavalgam os céus em estrondos de uma experiência sonora única desenvolvida por Maciej Tegi durante três meses exautivos de sincronia e experimentos, utilizando tecnologias como a Dolby Digital elevando a obra a um patamar técnico acima da média das obras independentes e não esquecendo da proximidade intima a sua audiência não esquecendo dos “detalhes” como a ofegante respiração do piloto ou ainda as vozes fantasmagóricas da radio-comunicação do cockpit até o engatilhar das balas na esteira da metralhadora, tudo mesurado, balanceado nos canais de aúdio de onde o downmix stereo – de onde a maioria irá assistir – estiliza a experiência.
E para acompanhar essa sonorização temos a trilha de Jaroslaw Wojcik do estúdio Genetix Studio, que ofereceu ao diretor uma variação do mesmo tema em formato de um rock/pop, também interpretado por uma banda chamada A-MEN – diga-se de passagem um sythpop mais do que rock alternativo:
Por alguma razão o curta não estava disponível na integra no Vimeo, mas alguém o disponibilizou e segue o link por tempo indeterminado.
Animação Completa: Clique Aqui
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Daemon, Thriller Hightec Plausível.

•19 de julho de 2012 • Deixe um comentário
Extrapolação do (im)Possível
O Livro Jogador Numero 1(Editora LeYa,2012) já está sob o conhecimento do público com o seu forte apelo ao cenário já em ebulição a alguns anos da industria de entretenimento eletrônico e da década de cyber comunhão da tecnologia e sociedade.  E “Jogador Número 1” não faz feio, mas não está sozinho no cenário literário, e apesar das referências mais clássicas e diretas através do próprio Ernest Cline a grandes autores e obras cyberpunks de algumas gerações, também há que autores como Daniel Suarez que leva o gênero investigativo para uma realidade tecnológica contemporânea e totalmente plausível.

Matthew Sobol é um programador de mão cheia, rico, excêntrico e MORTO. Mas não antes sem criar verdadeiros impérios nas industrias da tecnologia, que vão de aplicações bélicas à entretenimento digital interlaçadas por fortes pontos do mercado financeiro, corporativo de uma maneira geral até o governamental. Uma equivalência do somatório de Zuckerberg, Gates, Jobs e Wozniak. Apesar de tantos adjetivos, e transparecer quase um entidade sobre-humana as caraterísticas são bem fundamentadas.

DAEMON: Disc And Execution Monitor é essencialmente um programa que roda em background reagindo a determinados padrões de acontecimentos previamente descrito e atuando para o seu objetivo.

O que pode parecer um spoiler da trama nada mais é que apenas uma informação jogada em primeira instância no instigante universo criado por Suarez. Que antes mesmo de chegar à quintagéssima página já estamos suspensos da realidade por mistériosos assassinatos, fatos que se entrelaçam com a ficção e a vontade de descobrir as respostas.

Uma torrente de assuntos serão dali abordados, desde inteligência artificial ao sistema capitalista, passando por escravidão moderna e privatizações de serviços públicos. Tudo contextualizado com personagens não feitos por encomenda mas extremamente motivados. Até mesmo uma versão hacker do big brother (1984) de Orwells.

As descrições dos locais como praias de Los Angeles nos dias atuais dão agradável facilidade com a familiarização do universo tácito dos personagens que nele vivem – apesar de ambientada em uma cidade não fictícia precisamos absorver o mundo sob a ótica dos personagens – enquanto a tecnologia empregada em detalhamentos técnicos precisos dará aos fãs de tecnologia e/ou profissionais da área uma tangente empolgação como poucos livros do gênero poderiam. Apesar de compartilharem áreas em comum esse livro e o Fortaleza Digital do Dan Brown – este que sofre dos absurdos técnicos não digeridos nem pela manteiga da “licença poética” nem mesmo no que é o forte do autor o enredo. Daemon, acaba perdendo espaço para os personagens primariamente estereotipados mas que mostram o seu âmago e sofrem de uma progressão e maturidade sem precedentes.

Talvez o ponto que agrade a muitos pode ser o mesmo ponto fraco do livro: extenso uso técnico no texto, enquanto lia eu imaginei o quão preciso está muitas das tecnologias aplicadas ao passo que me perguntava se alguém de outro ramo fosse compreender tais tecnologias. Por sorte isso é parte do universo mas não é vital para seguir a história, e quando muito complexo o assunto o autor trata logo de simplificar com comparações simbólicas mais acessíveis.

Outro ponto negativo, também não tão vital seja a quebra de ritmo entre a primeira parte e a segunda, que dependendo do seu durante a leitura poderá ser prejudicial ou um alívio para digestão – talvez por ser essa sua primeira obra e não estar escrevendo apenas em seus horários livres. E por fim, Suarez faz polêmicas inserções de críticas abertas sob muitos pontos à contra-cultura, que poderiam ser falas e pensamentos dos personagens mas estão dispostas abertamente no texto narrado e teoricamente impessoal. Coisas do tipo “tatuagens de quem nunca teve um emprego” e coisas do gênero que aparecem após a segunda parte do livro e aparentam alguma frustração do autor, mas não é inteiramente alienado ou diferente de muitas opiniões de “lideres” no setor de TI que diferem por linhas tênues de fascistas/totalitaristas descendentes de culturas corporativas arcaicas.

Daniel Suarez

Não para menos que Daniel Suarez seja tão crível na tecnologia(com poucas ressalvas) apresentada no livro, o autor nascido em 1964, estadounidense, é consultor de TI com anos de experiência e especializado em gerência para bancos de dados. Vive e trabalha ainda como consultor em Glendale, California.

No segundo semestre de 2004, Daemon havia sido terminado por Daniel que submeteu a diversos editores, das quais “poucos leram de fato” – cita o autor – porém nenhum aceitou públicar a obra sob diversos argumentos como extenso demais para o gênero, ou complexo demais.  Resolveu então publicar por conta própria em formato digital e em 2006 contatando diversos blogs foi disseminando a obra.

Sob o pseudônimo de Leinad Zeraus(seu nome invertido) – “Já viu quantos Daniel Suarez retornam no google ? e Leinad ?” explicou Daniel em entrevista à Wired, mas não só por este motivo foi também manter os dois universos de trabalho consultor de  TI e de escritor separados.

Este é um daqueles livros que facilmente viraria filme.

Aqui no brasil a obra Daemon fora publicado em português pela editora Planeta:


Páginas:
432 páginas
ISBN:
9788576655701
Formato:
16 x 23 cm.
Encadernação:
Tapa rústica
Nº de Edição: 
1
Publicação:
Fevereiro 2011

Blinky™ ( 2011 )

•27 de junho de 2012 • Deixe um comentário
“Pronto ou não aqui vou eu…”
Blink

Facilmente classificável dentro do paradigma de “criatura versus criador” ?

Nem é preciso calcular as numerosas obras que abordam o tema, mas é sempre bom citar aquelas que abordam pelo lado que mais complicado a nós viventes de um mundo em crise financeira e fadado a um fardo compartilhado de salvar o planeta do pior das espécies: nós mesmos.

Blinky™é daqueles curtas que a principio é um conglomerado de cenas bem montadas, iluminadas e fotografia profissional, todo o necessário para entrar na lista do “mais um” sobre o poder dos efeitos especiais. Mas se deixarmos passar desapercebidos os aspectos mais interessantes abordados no roteiro corremos o risco de sermos injustos.

Conta em 13(treze) minutos a história de um garoto chamado Alex (Max Records, Where the Wild Things Are (2009)), um garoto padrão da classe média norte-americana que sofre com a degeneração aparente do casamento dos pais. Orientado pelas propagandas articulas a vender um estilo de vida perfeito, Blink é um robô artigo-alguém que fará desde as tarefas domésticas à ser seu amigo perfeito em todas as horas; Alex pede aos pais o que seria o “melhor presente” de natal de todos os tempos.

Alex logo irá descobrir que nem tudo o dinheiro pode consertar e nenhum bate-pé mimado é a varinha mágica para que tudo de ruim se resolva. O que ele deseja nem sempre pode ser o melhor para todos, nem para ele mesmo.

Escrito, dirigido e editado pelo cineasta irlandês Ruairi Robinson que também ficou a cargo da concepção e modelagem 3D e todos os demais efeitos especiais de Blink. Já com reconhecimento pelo seu trabalho em The Silent City(2006) – com a participação de peso do ator Cillian Murphy – também levou o prêmio Vimeo Awards 2012 na categoria Narrative ( Narrativa ) dado a melhor ficção  narrada através de atuações reais através da média de filme/video ( em tradução livre ).

O curta custou cerca de 45(quarenta e cinco) mil euros – o que é um quantia razoável para um curta. Nada que se espante vindo de um direto que fora cotado para dirigir nada mesmo que o filme Akira baseado no homônimo anime( Katsuhiro Otomo ) /manga em produção para a Warner.

Pensando em uma possibilidade de transformá-lo em um longa o material como apresentado não daria muito suporte para tal. A história no tempo disposto está bem contada e não abre margens para nenhuma outra exploração significativa – que não perigasse cair no clichê. Talvez as relações dos pais com o filho, ou o conflito interno do casal. Mas longe disso nada demais daria pano para manga. A atuação de Max também não é fator de destaque no curta, talvez algo que lhes afastasse mais dessa zona de conforto do estereótipo do garoto mimado dessem maior possibilidade de fazê-los nos surpreender, mas não foi o caso.

Já os pontos de virado no roteiro…bem, vale a conferida:

Extraneus 1 – Medieval Sci-Fi, o Pocket SCI-FI!

•23 de junho de 2012 • Deixe um comentário
Fantasia + Sci-Fi
2012 é um excelente exercício paradoxal com nossa imaginação. Por volta desta década e na próxima, muitas obras de ficção científica ou extrapolação distópica de outros gêneros exercitavam nossa imaginação quanto ao que vivenciaríamos como sociedade evoluída, que tipo de máquinas ou eletrônica faria parte do nosso dia a dia. E apesar de algum tanto disto vindo a se tornar realidade, não chegamos tão longe quanto a nossa própria imaginação. E se a proposta fosse não sobre o futuro diferente e sim sobre uma passado sobreposto aos tópicos futuristas? Com uma pitada violenta sobre intervenção extraterrena ? É sobre isso: Extraneus 1 Medieval Sci-Fi uma publicação da editora Estronho.

Uma coletânea de contos curtos, média de oito páginas cada, de diversos autores nacionais, estabelecidos e novatos. Populam a coletânea seres da literatura fantástica e tecnologia futurista, por vezes em reinos totalmente situados no além da imaginação e em outros momentos em marcos históricos da própria humanidade, quando para tanto visitados por extraterrenos hostis ou não. As interpretações são diversas e passeiam entre a crônica cômica ao épico.

São rapsódias narrais, que facilmente preencheriam os momentos de descanso da rotina. Com tempos bem demarcados, propositais ou não, mas que agradam a leveza da leitura e o tempo investido. Algo semelhante a episódios de uma drama televisivo de trama não sequencial, mas com a sensação que somente a literatura pode proporcionar. Uma alternativa OBRIGATÓRIA aos seus eletrônicos portáteis de uso(e abuso) diários.

O prefácio ficou a cargo de Richard Diegues, que demanda elogios a parte, propondo o restante da obra por uma introdução bem arquitetada e já esperada de um dos autores contribuintes mais prolíficos do amado e desaparecido NecroZine. Outro destaque fica para a arte, design e diagramação da obra, produzidas pelo M. D. Amado, que remete muito as coleções SCI-FI da década de 70 e 80 – próprias a serem alinhadas na estante a espera dos segundos, terceiros e tantos outros volumes.

Invention of Love ( 2010 )

•7 de junho de 2012 • Deixe um comentário
Invention of Love
Outra magnifica menção e grato pela indicação da Loja Ceará do Conselho Steampunk que exibiu juntamente do La Main Des Maîtres o curta Invention of Love trabalho de conclusão de curso de Andrey Shushkov na Universidade Estadual de São Petersburgo de Cultura e Arte ( Saint-Petersburg State University of Culture and Arts ).
Ao passo que a mídia mainstream se estratifica em formulas com pouca ou nenhuma vazão para inovação, encontramos nestes experimentalismos sérios das academias diversas a reciclagem de influências, a tradução moderna de uma linguagem dita datada. Facilmente os artistas envolvidos poderiam dar-se por satisfeitos em nutrir as bancadas analisadoras com trabalhos “comportados” e parametrizado na indústria para garantir-lhes sucesso comercial, logo o certificado de conclusão e atestado de sobrevivência da arte enlatada. Isso seria o caso de Invention of Love, se este debandasse ao arroz com feijão. 
Nascido em 86, Andrey levou cinco meses de trabalhos dedicados ao curta de 9(nove) minutos, onde o mesmo escreveu e dirigiu essa narrativa curta mas intensa de amor e morte; Fortemente inspirado em trabalhos de sombras/silhuetas de Lotte Reiniger, como de costume citada em diversas fontes como pioneira da técnica de stopmotion ao utilizar recortes de cartolinas em suas animações. A animação também bebe de uma forte contextualização steampunk, ao meu ver mais acertadamente na cerne; Não para menos que o mesmo citou como inspiração a animação The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello(2005), obra indicada ao Oscar de melhor curta de animação do diretor Antony Lucas.
A um tempo(anos), me foge o nome do autor, foi entrevistado em uma dessas noite pelo programa do Jô Soares, e nessa entrevista ele conta um causo bastante interessante na qual ele, como tendo o livro listado como obra para vestibulando, fez a prova de interpretação sobre sua própria criação. Ele não passou. Isso me remete as incontáveis perguntas que encontrei no meu secundário – sim, sou velho : “O quê o autor quis dizer com…”, seria uma forma legítima de ensinar interpretação textual ou uma forma fraudulenta moldar a visão sobre tudo na vida? O que isso tem haver com “Invetion of Love”? 
Pois bem, como uma obra sem diálogos falados, a interpretação pode correr livre sobre os intentos e os aspectos da narrativa muito subjetivos. Apesar do apelo gráfico, destaque ao estudo de formas utilizados na obra: balões dos dirigíveis, a silhueta da cabeça dos protagonistas também formando corações – nítidas e fortes informações do ponto da narrativa.  Ainda sim podemos fazer alguns exercícios de interpretação, mas como citado acima não tem intento algum de dedução.
A paixão e logo o amor, dão-se no ambiente da dama, o inventor alheio ao seu redor com exceção do foco de seu amor, conquista e carrega consigo o objeto de seu desejo – a mulher de sua vida. Isso já dá a ideia da alienação que o inventor vive, talvez pela natureza de seu oficio, exteriorizar aquilo que molda em intimo pensar. Então vem o choque dos mundos, o dela e o dele e nisso reside grande parte da animação, o mundo artificial dele invadindo o natural a qual ela estava acostumada, e por fim acredito eu o âmago da animação e de certa forma a própria essência steampunk/cyberpunk: o orgânico natural versão a artificialidade e gênio criador humano. Nosso intelecto nos guiando para frente enquanto a nossa condição de dependente da imperfeição como condição humana nos lembrando do que somos e aquilo que amamos.
A sequência inicial acertadamente sincronizada em criatividade com a trilha originalmente escrita por Polina Sizova e Anton Melnikov enquanto as performance de violino interpretadas por Anna Gudkova, que já colaborou com grandes projetos como Everybody Dies But Me (premiado com Golden Camera em Cannes, 2008) e ainda por trechos da obras de Chopin.  Tem um compasso único aos tons acentuados da animação, infelizmente pelas limitações de tempo a trilha sonora original merecia maior duração, o que deu espaço aos “vazios” e silêncios utilizados como pontuação por Andrey.

Assista o curta abaixo e tire suas próprias conclusões:

La Main Des Maitres (2008)

•23 de maio de 2012 • Deixe um comentário
Em primeira reunião pública de inauguração, o Conselho Steampunk – Loja Ceará, que dentre a apresentação de diversos artefatos steampunks e obras do gênero para melhor entendimento do público exibiu também um encantador curta de animação 2D/3D francês intitulado “La Main des Maîtres”(A Mão dos Mestres) criada por um trio de estudantes Adrien “CaYuS” Toupet, Clément Delatre & Looky em sua curso de graduação na respeitada e profícua Georges Mélies School/EESA.

Obviamente os elementos do steampunk esbanjam o cenário e enriquecem os símbolos do filme, mas diferente de muitas obras, longas e curtas que tenham como parte do composição de cenário e elementos de base da obra o fator mais significante é a própria luta classista, quase um folheto da extrema esquerda, não consegui deixar de imaginar uma etiqueta mental(em minha memória)  melhor do que “Um Conto do Proletário” – e apesar de que muitos possam a vir acreditar que esnobe pudesse parecer essa afirmação – miopia cultural ? – mas muito pelo contrário. A vazão do Liberté, Egalité, Fraternité” – talvez pela nacionalidade dos estudantes ou talvez pela universalidade do tema das classes e significância das revoluções para a história humana.



Dado este como os cartazes entregues, estado em absoluto controle do povo, contrapondo a liberdade de expressão; Tema esse travestido diversas formas nas milhares de obras e de diversas manifestações artísticas mas que nunca perdem seu tino essencial e nos fala tanto como raça. 


Com apenas 4 minutos o curta empreende um desde o belíssimo canto inicial que essencialmente entrega a temática de bandeja na voz de Kira , até a trilha final do compositor Sébastien Renault com a velha dupla melodiosa cello e piano(issimo).

E ainda sobre os elementos steampunks vale a pena dar uma conferida nos sketch das autoridades policiais do curta, suas armaduras e principalmente o símbolo centro do curso: “La Main des Maîtres”, que propositadamente lhes falto com o screenshot por – sua cúria – apenas saciar-se ao assistir do curta logo ali abaixo no final deste post.

Capa com influências Art Nouveau/Alfons Mucha

 
A Direção de arte está influênciada por Art Nouveau que a capa/poster do curta mais parece um cartaz de Alfons Mucha e não era para menos – citado em entrevista como maior influência na obra em questão pelo trio.

Efeitos especiais e composições fx, explosões, sangue e projetéis que lembram muito animes mais modernos, utilizando-se software como o Houdini(Side Effects).

Apesar do reconhecimento de público e premiado com melhor animação no TOTI festival ( festival esloveno ) o trio ainda não pensa em criar outros projetos e estarem cuidando de projetos individuais não descartam de um possível longa metragem caso exista uma oportunidade. É torcer para que isso ocorra logo, enquanto isso confira abaixa o curta:

Mamá ( 2008 )

•21 de abril de 2012 • Deixe um comentário

No resgate na memória de alguns curtas que assisti nos últimos anos, devido a escrita do post sobre o RED BALLOON, uma grata surpresa fora o sinistro espanhol: Mamá do diretor Andres Muschietti, lançado em 2008.
Dado o experimento de efeitos especiais e a atuação das duas garotas: Victoria Harris e Berta Ros o público poderia esperar o DNA espanhol impresso em filmes como do popular A Espinha do Diabo(El Espinazo Del Diablo, 2001) mas não acontece já que o clima, ambientação e elementos são cosmopolitas e o mini-conto “peliculado” – ou seria mais um ensaio ? –  poderia ser creditado a diretor de qualquer nacionalidade.

A premissa é: Lili e Victoria espreitam os corredores da casa, o medo é visível por suas feições e a tensão tácita nos olhares. Ainda que cuidadosamente tenham lembrado do peixinho de estimação a urgência de sair da casa é seu objetivo. Mas do quê elas fogem? o que as amedronta?

Além da direção, Andres, também assina o roteiro, assim como em seu outro curta de maior repercussão: Nostalgia En La Mesa 8(1999), ganhador dos prêmios Goden Sun de melhor curta no Biarritz International Festival of Latin American Cinema e o Special Mention no Havana Film Festival. Consta ainda como ator no Una Noche Con Sabrina Love(2000).

A trilha que garante a tensão fora criada por Gil Talmi, experiente compositor de documentários como o da BBC: Galápagos(2006). Apesar de muitas criticas voltadas a músicos de “tons” para curtas, filmes e seriados, essa foi a ponta diferencial entre o horror das garotas e um clima “pregar de peças” que o curta facilmente poderia passar em seus minutos iniciais. 

Guilhermo Del Toro e o longa.

Citar o longa de Andres e não ler nada associado a Guilhermo é quase impossível, dado a relevância de tutor que o segundo exerce no primeiro. Chegando ao ponto de inspirado pelo curta, Guilhermo, resolver fazer a ponte de produção para trazer as telas dos cinemas, agora em 2012, o Mamá na sua releitura conceitual.

O roteiro escrito por Neil Cross( Luther: The Calling(2011), Captured(2010), Bural(2009) e etc…) reconta a história – dessa vez em inglês – do personagem criado por Andres, a Mama(mãe) agora renomeada para Annabel, uma mulher que adota duas crianças perdidas na floresta mas tem como plano usá-las para trazer à vida os seus filhos biológicos mortos.

Os papéis principais estão a cargo de Jessica Chastain(O Abrigo,2011) como Annabel e Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister de Game of Thrones) no papel de Lucas.

Em fase de pós-produção ao que tudo indica será lançado agora em 2012.

Enquanto isso assista ao Mamá, o curta: