[HQ] Mesmo Delivery

Publicado em: Setembro de 2008
Número de páginas: 56
Formato: 18 x 12 cm | Colorida ( Creme, Cinza e Vermelho )
Preço: R$39,90

Muito tempo se passou desde o lançamento do mesmo em setembro de 2008 pela editora Desiderata (no Brasil) e muito foi debatido sobre a obra exultando sua qualidade e as demais façanhas de Rafael Grampá mas dada a sua referência quando desenhou capa para o quarto número para a HQ gringa Dead of Night Featuring Werewolf by Night #4 ( Marvel Max ) como o explicado aqui; Senti-me na obrigatoriedade de escrever sobre essa graphic novel.

 Mesmo Delivery é um conto de estrada. Conta a história do ex-boxeador Rufo que é contratado pela empresa homônimo da HQ para dirigir um caminhão carregando carga desconhecida, com duas únicas condições: Nunca abrir o contêiner e que fosse acompanhado pelo funcionário de confiança: Sangrecco, uma versão pulp de Elvis Presley.
São (na versão Brasileira) 56 páginas, formato 18×12, originalmente publicada nos Estados Unidos primariamente pela AdHouse Books, depois republicada pela Dark Horse junto com outros contratos que incluía a série Furry Water and The Sons of The Insurection. A Desiderata aproveitou-se de um bom momento de Rafael Grampá – merecidamente – pela premiação Eisner Award ao grupo de quadrinistas(da qual incluía-se o Rafael) da antologia “5” lançada independente no Brasil, Estados Unidos e Grécia. E os frutos de Mesmo Delivery ainda se extenderam por os Trófeus HQ Mix de Melhor Álbum Especial Nacional e Melhor Desenhista Nacional em 2009.

Há dois pontos bastantes interessante na obra, o primeiro é o roteiro e estilo de narração. A HQ começa por uma conversa informal em com um tom “calhorda” bastante provável a uma conversa de boleia. As duas personalidades, de Rufo e Sangrecco, degladiando sua empatia logo na sexta página. Rufos que mais parece um The Maxx da vida ou um personagem tirado de um game 80’s da Lucas Artes é um brutamontes de boné que ao inverso do que poderia a falta de visão de seu completo completo ser um traço de antipatia dá uma sensação de empatia pelo grandalhão atrapalhado. Ao lado um esguio canastrão baforando, poseado, e cheio de lorotas sobre ser um Elvis melhor que o original. Segue então um dia de uma viajem qualque recheada de violência gratuita, discursos cretinos cheios de testosterona, uma pitada pontual do fantástico sublime e … mais violência! . Tudo narrado de forma cinematográficas com enquadramentos únicos o que nos leva ao segundo ponto.

E este segundo ponto se deve aos grandes trunfos da obra: o traço parece um mistura da arte ukiyo-e – do japonês “imagens do mundo flutuante” uma espécie pinturas japonesas em blocos de madeira produzida entre os séculos 17 e 20 – com  Milo Manara(a cara da prostituta lembra a personagem Giuseppe Bergman de “As aventuras africanas de Giuseppe Bergman”), por vezes John Ridgway em Hellblazer/Constantine e o “acabamento” de Lorenzo Mutarelli(três vezes SALVE!), este último não por acaso pois é o mesmo que assina o prefácio da versão nacional, ainda há quem diga que este também apadrinhe artisticamente Rafael. Mas claro que guardado as devidas proporções não excede ao bizarro da obra de Mutarelli – pelo menos quanto ao personagens. 
Cenas de flashback estilo entrevistas e em primeira pessoa. Onomatopeias personificadas no fluxo da ação como se fosse parte integrante do próprio universo do cenário, o que bem foi lembrado pela crítica de Payl Montgomery do iFanboy como o estilo cartoon influenciado de  Max Fleischer(Popeye, Betty Boop), algo te lembra Scott Pilgrim ?
O universo está ambientado em algum buraco do tempo entre os anos 50 e 60 do que parece ser – deduzido apenas pelo nome dos personagens e outros pequenos detalhes – nos Estados Unidos. Artes pinups e um cuidado com a tipografia que emulam ainda mais o ambiente juntamente com a colorização com base em creme, vermelho vivo e cinza trazem ainda mais o ar nostálgico na revista. Outra sensação é de estar andando em um parque estadounidense qualquer de um pier antigo.

Talvez o único ponto da negativo é que 56 páginas não foram o suficiente para contar toda a história, ou ao menos ela merecia mais. Algo me dá aquela sensação de pagaria mais para tê-la concluída.

Versão Cinematográfica ?

Ao que tudo indica a detentora dos direitos cinematográficos da HQ, a RT Features  fará a incursão de uma obra de baixo custo com um desfecho para a HQ(olha ae! não disse?) sob a supervisão do próprio Rafael no roteiro, o projeto está sendo desenvolvido juntamente com a direção de Mauro Lima(Meu Nome Não é Johnny) e o produtor Rodrigo Teixeira.

A Ideia é manter um filme original e universalmente aceitável, já que muitos outros estúdios internacional mostraram interesse nas adaptações e muitas reuniões já foram feitas.

Um fato curioso é o hype de público que logo se adianta nas críticas com medo que o filme venha a ficar por demais americanizado, sem a identidade brasileira. Ai penso, será que estes leram a HQ ?

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~ por Edward "Toy" Facundo em 20 de setembro de 2012.

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