Daemon, Thriller Hightec Plausível.

Extrapolação do (im)Possível
O Livro Jogador Numero 1(Editora LeYa,2012) já está sob o conhecimento do público com o seu forte apelo ao cenário já em ebulição a alguns anos da industria de entretenimento eletrônico e da década de cyber comunhão da tecnologia e sociedade.  E “Jogador Número 1” não faz feio, mas não está sozinho no cenário literário, e apesar das referências mais clássicas e diretas através do próprio Ernest Cline a grandes autores e obras cyberpunks de algumas gerações, também há que autores como Daniel Suarez que leva o gênero investigativo para uma realidade tecnológica contemporânea e totalmente plausível.

Matthew Sobol é um programador de mão cheia, rico, excêntrico e MORTO. Mas não antes sem criar verdadeiros impérios nas industrias da tecnologia, que vão de aplicações bélicas à entretenimento digital interlaçadas por fortes pontos do mercado financeiro, corporativo de uma maneira geral até o governamental. Uma equivalência do somatório de Zuckerberg, Gates, Jobs e Wozniak. Apesar de tantos adjetivos, e transparecer quase um entidade sobre-humana as caraterísticas são bem fundamentadas.

DAEMON: Disc And Execution Monitor é essencialmente um programa que roda em background reagindo a determinados padrões de acontecimentos previamente descrito e atuando para o seu objetivo.

O que pode parecer um spoiler da trama nada mais é que apenas uma informação jogada em primeira instância no instigante universo criado por Suarez. Que antes mesmo de chegar à quintagéssima página já estamos suspensos da realidade por mistériosos assassinatos, fatos que se entrelaçam com a ficção e a vontade de descobrir as respostas.

Uma torrente de assuntos serão dali abordados, desde inteligência artificial ao sistema capitalista, passando por escravidão moderna e privatizações de serviços públicos. Tudo contextualizado com personagens não feitos por encomenda mas extremamente motivados. Até mesmo uma versão hacker do big brother (1984) de Orwells.

As descrições dos locais como praias de Los Angeles nos dias atuais dão agradável facilidade com a familiarização do universo tácito dos personagens que nele vivem – apesar de ambientada em uma cidade não fictícia precisamos absorver o mundo sob a ótica dos personagens – enquanto a tecnologia empregada em detalhamentos técnicos precisos dará aos fãs de tecnologia e/ou profissionais da área uma tangente empolgação como poucos livros do gênero poderiam. Apesar de compartilharem áreas em comum esse livro e o Fortaleza Digital do Dan Brown – este que sofre dos absurdos técnicos não digeridos nem pela manteiga da “licença poética” nem mesmo no que é o forte do autor o enredo. Daemon, acaba perdendo espaço para os personagens primariamente estereotipados mas que mostram o seu âmago e sofrem de uma progressão e maturidade sem precedentes.

Talvez o ponto que agrade a muitos pode ser o mesmo ponto fraco do livro: extenso uso técnico no texto, enquanto lia eu imaginei o quão preciso está muitas das tecnologias aplicadas ao passo que me perguntava se alguém de outro ramo fosse compreender tais tecnologias. Por sorte isso é parte do universo mas não é vital para seguir a história, e quando muito complexo o assunto o autor trata logo de simplificar com comparações simbólicas mais acessíveis.

Outro ponto negativo, também não tão vital seja a quebra de ritmo entre a primeira parte e a segunda, que dependendo do seu durante a leitura poderá ser prejudicial ou um alívio para digestão – talvez por ser essa sua primeira obra e não estar escrevendo apenas em seus horários livres. E por fim, Suarez faz polêmicas inserções de críticas abertas sob muitos pontos à contra-cultura, que poderiam ser falas e pensamentos dos personagens mas estão dispostas abertamente no texto narrado e teoricamente impessoal. Coisas do tipo “tatuagens de quem nunca teve um emprego” e coisas do gênero que aparecem após a segunda parte do livro e aparentam alguma frustração do autor, mas não é inteiramente alienado ou diferente de muitas opiniões de “lideres” no setor de TI que diferem por linhas tênues de fascistas/totalitaristas descendentes de culturas corporativas arcaicas.

Daniel Suarez

Não para menos que Daniel Suarez seja tão crível na tecnologia(com poucas ressalvas) apresentada no livro, o autor nascido em 1964, estadounidense, é consultor de TI com anos de experiência e especializado em gerência para bancos de dados. Vive e trabalha ainda como consultor em Glendale, California.

No segundo semestre de 2004, Daemon havia sido terminado por Daniel que submeteu a diversos editores, das quais “poucos leram de fato” – cita o autor – porém nenhum aceitou públicar a obra sob diversos argumentos como extenso demais para o gênero, ou complexo demais.  Resolveu então publicar por conta própria em formato digital e em 2006 contatando diversos blogs foi disseminando a obra.

Sob o pseudônimo de Leinad Zeraus(seu nome invertido) – “Já viu quantos Daniel Suarez retornam no google ? e Leinad ?” explicou Daniel em entrevista à Wired, mas não só por este motivo foi também manter os dois universos de trabalho consultor de  TI e de escritor separados.

Este é um daqueles livros que facilmente viraria filme.

Aqui no brasil a obra Daemon fora publicado em português pela editora Planeta:


Páginas:
432 páginas
ISBN:
9788576655701
Formato:
16 x 23 cm.
Encadernação:
Tapa rústica
Nº de Edição: 
1
Publicação:
Fevereiro 2011
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~ por Edward "Toy" Facundo em 19 de julho de 2012.

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