Invention of Love ( 2010 )

Invention of Love
Outra magnifica menção e grato pela indicação da Loja Ceará do Conselho Steampunk que exibiu juntamente do La Main Des Maîtres o curta Invention of Love trabalho de conclusão de curso de Andrey Shushkov na Universidade Estadual de São Petersburgo de Cultura e Arte ( Saint-Petersburg State University of Culture and Arts ).
Ao passo que a mídia mainstream se estratifica em formulas com pouca ou nenhuma vazão para inovação, encontramos nestes experimentalismos sérios das academias diversas a reciclagem de influências, a tradução moderna de uma linguagem dita datada. Facilmente os artistas envolvidos poderiam dar-se por satisfeitos em nutrir as bancadas analisadoras com trabalhos “comportados” e parametrizado na indústria para garantir-lhes sucesso comercial, logo o certificado de conclusão e atestado de sobrevivência da arte enlatada. Isso seria o caso de Invention of Love, se este debandasse ao arroz com feijão. 
Nascido em 86, Andrey levou cinco meses de trabalhos dedicados ao curta de 9(nove) minutos, onde o mesmo escreveu e dirigiu essa narrativa curta mas intensa de amor e morte; Fortemente inspirado em trabalhos de sombras/silhuetas de Lotte Reiniger, como de costume citada em diversas fontes como pioneira da técnica de stopmotion ao utilizar recortes de cartolinas em suas animações. A animação também bebe de uma forte contextualização steampunk, ao meu ver mais acertadamente na cerne; Não para menos que o mesmo citou como inspiração a animação The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello(2005), obra indicada ao Oscar de melhor curta de animação do diretor Antony Lucas.
A um tempo(anos), me foge o nome do autor, foi entrevistado em uma dessas noite pelo programa do Jô Soares, e nessa entrevista ele conta um causo bastante interessante na qual ele, como tendo o livro listado como obra para vestibulando, fez a prova de interpretação sobre sua própria criação. Ele não passou. Isso me remete as incontáveis perguntas que encontrei no meu secundário – sim, sou velho : “O quê o autor quis dizer com…”, seria uma forma legítima de ensinar interpretação textual ou uma forma fraudulenta moldar a visão sobre tudo na vida? O que isso tem haver com “Invetion of Love”? 
Pois bem, como uma obra sem diálogos falados, a interpretação pode correr livre sobre os intentos e os aspectos da narrativa muito subjetivos. Apesar do apelo gráfico, destaque ao estudo de formas utilizados na obra: balões dos dirigíveis, a silhueta da cabeça dos protagonistas também formando corações – nítidas e fortes informações do ponto da narrativa.  Ainda sim podemos fazer alguns exercícios de interpretação, mas como citado acima não tem intento algum de dedução.
A paixão e logo o amor, dão-se no ambiente da dama, o inventor alheio ao seu redor com exceção do foco de seu amor, conquista e carrega consigo o objeto de seu desejo – a mulher de sua vida. Isso já dá a ideia da alienação que o inventor vive, talvez pela natureza de seu oficio, exteriorizar aquilo que molda em intimo pensar. Então vem o choque dos mundos, o dela e o dele e nisso reside grande parte da animação, o mundo artificial dele invadindo o natural a qual ela estava acostumada, e por fim acredito eu o âmago da animação e de certa forma a própria essência steampunk/cyberpunk: o orgânico natural versão a artificialidade e gênio criador humano. Nosso intelecto nos guiando para frente enquanto a nossa condição de dependente da imperfeição como condição humana nos lembrando do que somos e aquilo que amamos.
A sequência inicial acertadamente sincronizada em criatividade com a trilha originalmente escrita por Polina Sizova e Anton Melnikov enquanto as performance de violino interpretadas por Anna Gudkova, que já colaborou com grandes projetos como Everybody Dies But Me (premiado com Golden Camera em Cannes, 2008) e ainda por trechos da obras de Chopin.  Tem um compasso único aos tons acentuados da animação, infelizmente pelas limitações de tempo a trilha sonora original merecia maior duração, o que deu espaço aos “vazios” e silêncios utilizados como pontuação por Andrey.

Assista o curta abaixo e tire suas próprias conclusões:

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~ por Edward "Toy" Facundo em 7 de junho de 2012.

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