INK, fantasia moderna com ar de conto de fada.

Ink

Nota prévia:

Certa vez em conversa com uma grande amiga revelei que tinha ojeriza aos diversos críticos de diversas formas de arte, por aclamações e superficiais análises das obras. Muito pacientemente ela, acadêmica da área literária, me explicou que a origem da minha raiva tem base na praticamente inexistência de verdadeiros críticos – como assim?

Ela me esclareceu que com o acesso fácil à veículos de divulgação da informação, como por exemplo a internet, se formou a população de “resenhistas” . Sem delongar em assunto não temático do post, trata-se de um profissão NÃO menos honrosa, mas com um objetivo um tanto quanto diferente: ser uma análise menos profunda da obra e de leitura mais ágil. De certo qualquer um com um mínimo conhecimento de alguma assunto pode ser resenhista, mas para crítico, deve se embasar de diversos artifícios acadêmicos que acercam a produção do determinado assunto, isso só consegue com dedicação e estudo.

Hoje em dia eu respeito mais os críticos, mas nunca troco minha experiência pela opinião de terceiros. Então, nem me considero nem um e nem outro, o que se segue com inicio neste post e se estende por outros é simplesmente minha impressão acerca do universo do filme, somente é claro acerca dos filmes que do gênero ou titulo especifico me atraiu a atenção, de forma que não publicaria nunca comentário acerca de um titulo/gênero à qual não tenho nenhum apego.

Ainda que uma opinião, eu vos aconselho: nunca troque vossa experiência pela opinião de ninguém. O intuito é compartilhar experiências. Sempre.

Se tiveres idade o suficiente ou por obra do destino chegastes a oportunidade de assistir aos filmes: A Lenda(Legend, 1985) e Labirinto: A Magia do Tempo(Labyrinth, 1986) já sentiu o sabor da fantasia através do cinema em suas composição clássica da literatura fantástica: unicórnios, magos, florestas encantadas e por aí vai. Assim como os que acompanharam a saga dos filmes de horror/terror do final dos anos 70 e 80 que apregoavam-se de monstros advintas de pesadelos urbanos como o Michael Myers(Halloween, 1978) e Freddy Krueger(A Nightmare On Elm Street,1984) devem entender quando esses gêneros acabam se fundido e ambientando-se em um mundo moderno com todo os seus problemas sociais e seus valores temos algo que chega próximo ao universo de INK.

Mas do que se trata INK?

John(Chris Kelly) é uma espécie de executivo obcecado pelo trabalho(workaholic) que é pai da pequenina Emma(Quinn Hunchar). Ambos distantes pelos razões do destino se encontram em meio a trama que situa-se entre os Storytellers, espécies de guardiões dos sonhos e seus antagônicos guardiões dos pesadelos. Nesse meio tempo também nos é apresentado: Ink, figura singular e sinistra que parece carregar o ritmo do filme além de emprestar o nome à obra. Então após o seqüestro de Emma se dá a saga de todo o filme.

Contos de fadas macabros ?

A visão distorcida de si - exemplos dos simbolismo encontrado no filme.

Algumas experiências no campo da ficção moderna nos levou na década passa e nessa a rever alguns contos e fábulas adaptando-as como insurreição à era moderna da razão, como por exemplo o Ao Cair da Escuridão(Darkness Falls, 2003) onde a fada dos dentes ganha novos ares mais sombrios e O Pesadelo (Boogeyman,2005) de Sam Raimi que inclusive cria uma nova teoria ao velho e conhecido Bicho-Papão.

Com Ink nós somos levando entre dimensões que podem(ou não ?) representar as barreiras existentes dentro da nossa própria psiquê, através do mundo dos sonhos e pesadelos. Infestados por guardiões de um lado com altruístas e outros revistos e retroalimentados pelas mais desprezíveis aspirações. Tudo sempre mantendo um pé simbólico no mundo dos humanos de onde muitas vezes somos levados por flashbacks da vida de John, explicando assim até o ponto em que se encontra a narrativa.

A estrutura INK.

storytellers - guardiões dos sonhos?

A Narração é carregadíssima de simbolismo e figurações dentro dos próprios diálogos. O exagero por vezes nas caricaturas dos personagens emergi-nos um pouco da infância, do bufão de teatros circenses e justamente o ponto onde encontramos a magia mais pueril de INK contrapondo-se as situações a angustias mundanas e aqueles em que somente um adulto conheceria. Justamente pelo excesso do simbolismo o espectador poderá se sentir entediado ou até mesmo odiando um persona ou outro, mas fica o aviso: não procure lógica onde só o coração entende; relaxe e aproveite.

Ink e a inocência.

A Atuação de Quinn como Emma nos carrega pela inocência em um mundo politicamente correto porém amargo. Mas não deixe-se enganar pela prosa do filme ser menos ganancioso, as criticas sobre ética e outros pormenores estão lá tão atrelados ao épico de Ink que quase esquecemos que existe, mas ai vem a onda de autocrítica rasgando, como deveria ser, de dentro para fora da mente dos personagens.

Ink no império da pirataria.

Não é de hoje que a pirataria já faz festa na terra-de-ninguém(internet), os motivos são milhares, como brasileiro eu tenho vergonha de afirmar que aqui é um ótimo local para justificar essa pratica já que nossas taxas sobre produtos como ditos como luxo(filmes, jogos eletrônicos e etc) seja abusivos com no mínimo de 60% de imposto sobre o valor do produto e alguns casos chegam à 213%, mas enfim, não seria apropriado para tal discussão esta opinião sobre um filme.

No caso de INK é ainda mais difícil que uma produtora independente, a Double Edge Filmes, consiga resgatar o investimento na produção do filme, por isso no próprio site do filme: http://www.doubleedgefilms.com/ a produtora apela à honestidade do público e indica com o seguinte letreiro:

“if you watched Ink for free online and would like to contribute what you can, please click here:”

O que nos leva até um formulário de contribuição vinculada à uma conta no paypal. O que de certo é inocente, mas funciona! Em sites como o Internet Movie Database(http://www.imdb.com/) alguns comentários de arrependimentos por conta de assistir ao filme sem pagar começaram a aparecer e alguns inclusive se redimiram e compraram a obra diretamente do site da produtora, que conta inclusive com kits)Poster + DVD ou BLU-RAY + Camiseta do filme ) para o suporte do filme. O que infelizmente seria uma pouco inviável dado o caso que tanto o DVD quanto o Blu-Ray são de regiões não reconhecidas pelo nossos players de mercado, mas o valor (dolares) no caso do Blu-Ray e para o DVD; não está abusivo, a obra vale!

Tentarei contato em breve com a produtora para saber de planos para legendas/dublagem para o nosso idioma. Postarei qualquer novidade sobre isso.

Mais informações:
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Jamin Winans
Estrelando: Chris Kelly, Jessica Duffy, Quinn Hunchar, Jeremy Make, Erne Ikwuakor
Produtora e site oficial: http://www.doubleedgefilms.com/
Internet Movie Database: http://www.imdb.com/
Site dos Fãs: http://www.repercussionsmagazine.com/ink/

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~ por Edward "Toy" Facundo em 16 de março de 2010.

2 Respostas to “INK, fantasia moderna com ar de conto de fada.”

  1. E aê já existe alguma possibilidade do filme ser lançado oficialmente por aqui? Dublado sería ótimo mas tendo o filme (que é muito bom) já está ótimo !

  2. Salve, Bruno.
    Olha só a Double Edge é uma empresa ainda pequena e independente e isso significa sem grandes apadrinhamentos no quesito distribuição, inclusive isso é o grande diferença na industria dos cinemas, os custos de produção são quase os mesmos – em alguns casos menores – que o da distribuição. E quando falamos distribuição adicionamos ai o custo de localização(dublagem, legendagem, marketing focado e etc…)

    Estou aqui em contato com a produtora para me informar se nesse tempo já houve alguma avanço em alguma negociação com países de lingua portuguesa. Caso não tenhamos a pt-br, ao menos pt!

    Assim que receber notícias publico aqui!
    Abraços,

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