[HQ] Marvel Terror – Volume 2

•6 de outubro de 2012 • Deixe um comentário
Publicado em: Maio de 2011
Número de páginas: 148
Formato: (17 x 26 cm)
Colorido/Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 17,90
Seguindo na trilha iniciada no post do Volume 1, A Panini lançou também o segundo volume de um encadernado com a junção de diversas histórias lançadas originalmente em vários volumes e reunidas aqui com uma temática em comum: a temática de Horror.

Como já explicada no post do volume 1 as histórias reunidas aqui e relançadas são lançadas lá fora através do selo MAX que geralmente são histórias de cunho mais maduro e as amarras dos roteiristas estão mais soltos acabam propagando uma versão/visão (teoricamente) mais adultas até mesmo de seus heróis mais tradicionais. Tanto que a abordagem de um dos protagonistas da HQ Moon Knight isoladamente, Jack Russell, funcionou bem para encadernados separados sem ligações pendentes com o universo estreante original. A ideia, imagino, seja justamente manter essas edições esporádicas com histórias(ou arcos) bem fechados para funcionarem como consumo rápido.
Ponto positivo e de correção nesta edição(por falta na anterior) foi a inclusão de um editorial resumido do que se trata as prévias e trágicas situações a qual Danny for incluso no mundo sobrenatural. Por um lado serve para introduzir essa história para um público geral, onde o contexto do roteiro é compreendido sem a necessidade prévia da história do personagem mas esmaga – sem querer – todo uma longa saga que envolve até mesmo Blade o caçador de vampiros.  Mais uma vez advogo em favor dos editores, deve ser um trabalho extenuante escolher uma saga merecedora de publicação levando em consideração o background do personagem sem ferir a amplitude da obra. Resumo da opera: fanboys podem amar pela publicação de uma boa saga do personagem já que possuem prévio conhecimento de sua história, ou podem odiar justamente pelo mesmo motivo e discordarem da escolha ignorando o público geral sem prévio conhecimento. Já o público em geral pode apreciar a obra como um todo pelos aspectos aparados do roteiro dentro do contexto apresentado ou ficar com o sentimento de falta de maior compreensão. Ou seja, parte muito do estado de espírito do leitor no momento…e tomara que não seja o de vingança!
Nessa segunda houve um esforço(ao de escolher saga independente) semelhante em contar a história Danny Ketch, irmão do Johnny Blaze, o detentor do original contrato com o demônio das séries Motoqueiro Fantasma o terceiro personagem a encarnar o papel depois de e. Isso mais Satana e Múmia Viva. Então vamos por cada uma delas.
Motoqueiro Fantasma: Danny Ketch
Roteiro: Simon Spurrier
Arte: Javier Saltares
Cores: Dan Brown
Letrista: Gisele Tavares
Tradutor: Edu Tanaka / PF
Editor original: Daniel Ketchum
Editor nacional: Rogerio Saladino
Publicada originalmente em: Ghost Rider Danny Ketch – 1(Outubro/2008), Ghost Rider Danny Ketch – 2(Novembro/2008), Ghost Rider Danny Ketch – 3(Dezembro/2008), Ghost Rider Danny Ketch – 4(Janeiro/2009) ,Ghost Rider Danny Ketch – 5(Fevereiro/2009).
A carro chefe da edição com 5(cinco) partes, que conta a história de Danny Ketch, como descrito acima e apesar de já extensa história públicada envolvendo Blaze e todo o misticismo do pacto com o Demônio, esta de Ketch envolve muitas outras faces de tramas que se cruzam para formar uma maior teia de manipulação.
A princípio já fica claro através do editorial que Danny fora possuído por uma entidade com poderes semelhantes ao de seu irmão, mas com segredos ainda mais obscuros e tramas mais complexas. Isso se você ficasse pelas notas do editorial, mas logo um introdução narrada a estilo de seriado americano spinoff por um corvo expandi essa concepção para um nível mais intimista. São apenas duas páginas estilo galeria e tentam passar toda a criação de como Danny Ketch recebera os poderes, o mesmo esforço do editorial, mas sem tanto sucesso pela história mais ampla, pelo outro acentua o principal conflito do roteiro:  “Danny estava sempre no controle do poder, consciente de tudo a sua volta. Ele odiava aquilo, tentou várias se livrar da situação que ele se encontrava.” Isso por si já é o que o leitor geral precisa para apreciar o resto da obra.
E não muitas páginas depois estamos a par de que Danny Ketch se livrara do espírito da vingança e dos poderes, infelizmente ao passo que estava viciado demais neles para que isso fosse uma alívio e aqui jaz o verdadeiro argumento da revista, não tão simplório como esse breve resumo  pode ter passado por envolver mais outros aspectos interessantes em um universo com um pouco mais denso que o heróico da Marvel, não chegando próximo do gore de alguns títulos do selo MAX, mas sério e um tanto quanto mais épico. Esses detalhes ficam sob um julgo severo spoiler então abstenho-me de falar.
É escrito por Simon Spurrier, escrito britânico que tem depois de uma variada gama de trabalhos que vai de cozinheiro, passando por vendedor de livro até diretor de arte da BBC e nas HQs tem nome creditado em 2000 AD em séries próprias, como Lobster Random e Harry Kipling. Vale ressaltar que a 2000 AD é um publicação com foco em ficção cientifica que já trabalharam nomes como Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison.
Não é por menos que Simon também tenha vindo a trabalhar em um dos personagens que era publicado pela 2000 AD, o Juiz Dredd, agora saudado pelas massas ao conhecimento do filme recentemente lançado. E essa experiência com histórias futuristas, distópicas é bem enquadrado na personagem e o seu tema: Mary Lebow, uma tecnomaga que representa bem uma fusão de estilo horror, magia e postura pós-punk inglesa – tudo que qualquer jogador de Mago A Ascensão simpatizante dos Adeptos da Virtualidade iriam se identificar diretamente. Pontos para Simon que consegue transitar nesse universo sem distanciar de uma linguagem da tecnologia pós 80s, para um britânico, claro!
Outros personagens humanoides, mais totem/bestial para ser exato, guardam uma semelhança única licantropos dos títulos da White Wolf o que me deixa em uma desconfiança tremenda de que houve inspirações diretas, inclusive na arte de Javier Saltares e isso nos leva ao outro ponto da revista.
Javier Saltares que fora um dos criadores do personagem Danny ainda em Maio de 1990 na Ghost Rider vol .3 #1 e desenhista em diversas outras da mesma década do título em si. Justiça seja feita, o design de personagens do mesmo tem uma variação magnifica e rica – talvez pelo espaço que o roteiro abriu incluindo diversas culturas. Houve só um pequenino erro grotesco estilo liefeldiano como Mary sem um dos braços em um desenho de pespectiva na página 63 e peças de roupas(argolas) aparecendo também espontâneamente.
A colorização merece notas a parte, de Dan Brown, que conseguiu traduzir bem um espectro para a áurea negra do espírito da vingança no momentos mais fantasy da HQ mas a finalização de Tom Palmer forçou o expressionismo de Javier para um lado não interessante deixando-o mais forçosamente realista. Assim como as capas magnificas de Clint Langley que fácil me lembram o John Bolton.

Satana e o Pentagrama Elétrico
Roteiro: Robin Furth

Arte: Kalman Andrasofszky
Cores: Stephane Peru
Letrista: Gisele Tavares
Tradutor: Edu Tanaka / PF
Editor original: John Barber
Editor nacional: Rogerio Saladino

Publicada originalmente em: Legion of Monsters: Satana 1(Agosto/2007)

Satana é daqueles personagens para os olhos, a ruiva de curvas absurdamente infernais(trocadilho bem cretino) e criada por Roy Thomas e John Romita, aparecendo pela primeira vez em Vampire Tales, Outubro de 1973 teve em seu cast de desenhista até o brasileiro Mike Deodato em um visual reformulado na série Witches. Infelizmente aqui não teve um roteiro muito feliz nas mãos de Robin Furth, responsável pela adaptação para os quadrinhos de Torre Negra ( Dark Tower) do famigerado Stephen King. E não para menos ela mesma é apadrinhada pelo escritor desde que fora apresentada na universidade do Maine.
Pelo mesmo motivo, tento trabalhado com um cast tão classe A que não consigo entender o roteiro de “Satana e o Pentagrama Elétrico”, a começar pelo titulo que não corresponde a uma nova geração de leitores, mas está mais para alguém que se perdeu no final da década de 70 em uma overdose com Alice Cooper. Bem estilo “me conheça agora”.
Nesta HQ…
Satana uma sucubus filha do próprio demônio é uma assassina serial procurada pela policia por diversas mortes. Alimentando-se das almas dos homens da qual ela as obtém através de um beijo. E como parte de um acordo envia um tributo ao seu pai a cada quantidade de almas recolhidas. 
Tudo corria como o esperado até que ela é aprisionada por uma mortal que deseja o retorno de seu irmão, uma das vitimas de Satana.
Primeiro que Satana, filha do demônio com uma humana chamada Victoria Wingate que enloqueceu após descobrir a natureza de seu marido e filhos – sim! ela tem um irmão chamado Daimon Hellstorm – em uma c
idadezinha fictícia chamada Greentown, Massachusetts.  E para encurtar a história foi levada para uma das tantas dimensões infernais da Marvel, aprendeu magia negra e foi expulsa para a terra em forma de uma súcubu ( succubus ) drenando a alma dos mortais a partir de um beijo. Apenas a última informação é passada no roteiro e dai parti toda a história nessa HQ.
 
Partindo de que ela uma súcubus filha de satã apenas, é deixar Satana uma personagem genérica de um conto QUALQUER de terror b. Deveria ter uma pequena introdução falando da personagem para aprofundar a janela da história contada. Mesmo porque o roteiro não funcionou muito bem como uma história separada do contexto geral ( explico melhor na seção spoiler abaixo).
Cheio de frases de efeito e clichês o roteiro fui consumido em essência pela arte de Kalman Andrasofszky,  que tem na bagagem ilustrações para Star Wars. É interessante que Kalman, dá ao rosto de Satana um ar mais pesado mais cisudo, uma mulher – apesar de ser americana, a personagem – ter linhas faciais mais europeias, um toque interessante dado por este canadense com diversas capas no histórico como X-treme X-men, The Punisher e Witchblade. Ou seja, bocas femininas vocês sabe por onde o traço passa e a atenção as sombrancelhas.
Outro ponto que Kalman soube usar bem para seguir a linha proposta no roteiro, foram as posições sensuais que praticamente ocupa 95% de qualquer pose de Satana, valorizando o aspecto luxurioso da personagem tanto nas partes mais simples de um dialogo até os combates.
A capa ficou a cargo do Greg Land, o mesmo  da “Garota de Interior”  do Marvel Terror – Volume 1, e que fez um excelentre trabalho facial mas tirou da anatomia de Satana seus quadris(!!).
Spoilers –
 
Ainda sobre o roteiro, explico: a mortal da história afirma estar atrás de seu irmão Jason Silence, uma das vítimas de Satana, que por coincidência do destino fora uma das almas-tributos pagas por Satana à Satã. Ou seja o mortal está no inferno, mas isso não fez parte do inicio do roteiro, nem há uma ligação com o argumento de Jason para a História.
 
Hã uma confusão entre a história de Satana real e a da HQ, onde ela começa logo dizendo que sua batalha CONTRA o inferno começou em uma noite comum. Porém de acordo com o história original de Satana ela ABRAÇOU o treinamento de seu pai – diferentemente de seu irmão Daimon – e só depois fora expulsa da dimensão infernal. E a contradição ainda fica maior quando ela mesmo revela durante a história que manda o tributos ao pai, como ela estaria em uma batalha contra o inferno?

 

A sacada das frases finais com o sobrenome Silence só funcionariam se houvesse uma tradução literal também para o português, e acabou perdendo o impacto na versão brasileira.
Múmia Viva: precisoMorrer/comerAlma
Roteiro e Arte: Jonathan Hickman
Cores: Stephane Peru
Letrista: Gisele Tavares
Tradutor: Edu Tanaka / PF
Editor original: John Barber
Editor nacional: Rogerio Saladino
Publicada originalmente em: Legion of Monsters: Satana 1(Agosto/2007) como N’Kantu, The Living Mummy: MustDie/EatSoul.
Na opinião de muitos, essa história foi a “vende titulo” da HQ, já que ambas as histórias de Satana e esta saíram no mesmo titulo mas esta foi escrita por Jonathan Hickman o responsável por títulos aclamados como Pax Romana(2009), Transhuman(2009) e os mais mundanos Quarteto Fantástico, FF, S.H.I.E.L.D pela Marvel, e capas para a Virgin Comics: Guy Ritichie’s Gamekeeper, Seven Brothers do perturbado do Garth Ennis. Assim como criador da The Nightly News pela Image, e o atual The Manhattan Projects que está arrancando alguns elogios pela originalidade.
N’Kantu era um guerreiro da tribo suaíli da Afriba sub-saariana ( algo entre 1552 a.C. e 1040 a.C.), valoroso caçador e sucessor do trono do rei T’Chombi, seu pai.  Mas logo após o primeiro ano de seu reino, surgiram os em-nakdes guerreiros egípicios que tornou toda sua aldeia em escravos.
Uma apresentação para ser mais sincero de 14 páginas ornamentas e com a orientação gráfica extremamente eficiente, não muito diferente de seu trabalho em Pax Romana. Com diversos infogramas somos conduzidos a familiarização da mitologia do antigo Egito. De fato, há uma certa razão em todo agito no nome de Hickman dado que sua experiência profissional como designer gráfico casou magnificamente com sua sua expressão no desenho. Há ainda a mudança dos tradicionais balões redondos por um retângulos de cantos arredondados dispostos em uma orientação horizontal e uma linha imaginária temporal vertical dá uma sensação de organização e fôlego a narrativa; Assim como o lirismo presente e a carga emocional.
O único ponto negativo, talvez seja que não se trata de uma história em si, parecendo bem mais um encarte introdutório e de apresentação do personagem que não é tão popular no universo marvel, fazendo parte mais daquele panteão de montros ala Universal Monsters.
The Living Mummy fora criado originalmente por Steve Gerber e Rich Buckler na Supernatural Thrillers #5(uma espécie de selo separado peretencente ao grupo Marvel) em 1973 e sendo publicado até 1975, passando pelas mãos criativas de Tony Isabella, John Warner, Tom Sutton e Len Wein.
Considerações Finais:
Apesar de alguns erros técnicos, como a falta de numeração de algumas das páginas da 61 à 65. As duas seguintes não possuem nem mesma numeração. Talvez a versão americana não as tenhas, mas em se tratando de um encadernado com histórias bem distintas sem um ponto de diferença na direção de arte, com exceção a última(Múmia Viva), faz-se aconselhado.
Para quem é fã ou mesmo se interessa de alguma forma por Motoqueiro Fantasma a HQ é uma excelente oportunidade alimentar a vontade já que tem nomes chaves citados na história como Hoste Negra e Zadkiel; Passando-se ainda antes de outros importantes na mitologia da HQ.
Já a história da de Satana deixou muito a desejar no quesito roteiro mas no tocante a fator thrash sexuapeal é um prato moderado, sem falsos moralismo compraria sim em separado com um preço bem inferior e a última história me é um encarte, mais como um bonus ou um artbook do que propriamente dito um produto fechado, seria um petisco de conceito para o retorno de alguns monstros clássicos da Supernatural Thrillers?
O preço de capa está R$ 17,90 dando exatamente o mesmo número de páginas da edição anterior, ganhamos na economia das cinco edições do Motoqueiro Fantasma: Danny Ketch e perdemos com a não existência de três historias de fato, um equilibrio para manter o produto.
Links:
Anúncios

[hack] txtBOMBER – Impressora de Mão Para Paredes.

•2 de outubro de 2012 • Deixe um comentário

Brinquedinhos fantásticos de guerrilha. txtBOMBER é o nome do dispositivo de impressão em paredes ou superficies planas para mensagens, preferencial de resistência pacifica ( ou não ) criada por Felix Vorreiter, um programador alemão que criou este projeto utilizando o microcontrolador opensource Arduino.


Felix, que criara a ferramenta para impressão de dizeres de sua visão politica nas paredes de sua cidade, vide foto ao lado, abriu as especificações desta engenhosa ferramenta que utiliza sete marcadores independentes controlados por uma placa pré-programada e utilizando um core arduino para controlar a ativação e descrição do discurso.

Atualmente o dispositivo escreve apenas em alemão, mas logo esteja disponibilizado o código-fonte, trago aqui para ser analizado e modificado, quem sabe incrementamos algo.

Em ação:

 

[HQ] Resident Evil – Biohazard Marhawa Desire – Volume 1

•28 de setembro de 2012 • Deixe um comentário

Publicado em: Junho de 2012
Número de Páginas: 176
Formato: 13 x 18 | Preto e Branco | Folhas iniciais coloridas.
Preço de Capa: R$ 10,90
Site: Panini

Resident Evil sem sombra de dúvida tem sido um dos títulos multimeios(games, livros, filmes e hqs) mais comentados e acompanhados por muitos pelas mais diversas razões que ficaria difícil enumerar aqui. Inclusive até mesmo descrever toda a saga dos jogos até os filmes do Paul W. S. Anderson é uma tarefa homérica que podemos abordar depois nas séries sobre jogos de horror que pretendo públicar. Mas para quem está completamente alheio ao universo do que se trata Resident Evil: O game produzido e publicado pela empresa Capcom e foi lançado, originalmente como Bio Harzard no japão e logo depois como Resident Evil, em 1996 para a plataforma Playstation da Sony e logo portado para diversos outras plataformas. Contando a história de um grupo da divisão policial S.T.A.R.S (Special Tactics And Rescue Service) de uma cidade fictícia chamada Raccoon City  que fora enviado para investigar casos estranhos envolvendo canibilismo aos redores da mesma em uma mansão isolada. Após o envio do primeiro time, Bravo, porém com a perda do contato  um segundo time: Alpha seguiu na pista para investigar o paradeiro da Bravo. Controlando dois personagem pertencentes a este segundo Chris Redfield e Jill Valetine o jogador terá de sobreviver a inúmeras ameaças que cercam tanto a mansão a floresta ao seu redor. Acaba-se descobrindo que por trás do incidente há uma corporação internacional chamada Umbrella Corporation que detém atrás de uma faixada de fabricação de cosméticos, remédios e outros tantos itens inocentes uma vasta pesquisa em armamentos químicos e seus tentáculos de influência se alastram por diversos países e governos.

Muitos jogos depois, alguns filmes e uns poucos livros. E polêmicas a parte, Resident Evil tem sua cota de sucesso financeiro em qualquer meio que se envolvesse, em proporções bem distintas, as pessoas aguardam a cada novo produto com um misto de tensão, otimismo, nostalgia ou puro descontentamento. Mas isso como eu disse, é um brevíssimo resumo; E para situarmos na linha do tempo desse lançamento, há uma grande expectativa no lançamento de Resident Evil 6 – o jogo seguindo a cronologia oficial, com exceções dos spinoffs da série como as séries Survivors e o tão criticado Resident Evil Operation Raccoon City ainda neste ano(2012) – e o filme que estreio nos cinemas neste mês de Setembro: Resident Evil Retribution.

Então nada mais natural que o momento fosse propício para que a Panini lançasse o mangá Biohazard Marhawa Desire – Resident Evil – Volume 1 o que titulo já mostra a confusão que é manter duas marcas fortes do mesmo produto. Adianto-me, caros leitores, que nem de perto sou um fã dos quadrinhos orientais(mangás) mas também fui aberto a experiência, ainda que não fosse minha primeira, já que fiz questão de comprar Ring – O Chamado de Misao Inagaki publicado aqui no Brasil pela Conrad em 2005. E obviamente não poderia deixar de passar batido por uma hq situada no universo de um dos meus preferidos survival horror, que a tanto me decepcionou em algumas obras, seria a redenção?

O mangá que está sendo publicado anualmente e simultâneamente em 12 países e ao que parece está servido de prólogo para o jogo Resident Evil 6 que deverá ser lançado agora em Outubro. O que não é nenhuma surpresa, diria, já que o argumento da revista é da própria equipe da Capcom. Publicada no japão pela Weekly Shounen Champion, uma publicação semanal com foco em público jovem, colegial, com idade média de 10 à 17 anos. Isso já dá uma explicação sobre alguns pormenores que mais a frente vou expor. Os desenhos ficaram ao cargo de Naoki Serizawa de trabalhos como Saru Lock e Samurai Man.

Marhawa Desire conta a história da manifestação de uma estranha epidemia que começa ocorrer em um colégio de nome Marhawa, dirigido pela religiosa Madre Gracia, transformando uma de suas alunas em zumbi. Um bacteriologista especializado, Doug Wright, é chamado para investigar.

Logo nas primeiras páginas uma misteriosa mulher, a que todos os leitores espalhados na web identificam como sendo Ada Wong, uma antagonista recorrente nas conspirações envolvendo a corporação Neo-Umbrella(derivada da Umbrella Corporation depois diversas intervenções durante a história principal dos jogos e animações ), acaba por abrir um misterioso cubo e através de poucas frases soltas em um comunicador, inicia algum procedimento com ares de missão-mistério.

Então somos apresentados aos centro do roteiro, Doug Wright e Ricky Tozawa, com personalidades distintas e representando duas gerações também diferentes. Doug é professor universitário de Ricky e por coincidência também seu tio. A relação dos dois parece ter sido montada para falar diretamente aos estudantes do japão, com a postura mais sérias dos mais velhos e o empate insistente do gênio jovem contra a autoridade, nada revolucionário – como haveria de ser do próprio pública japones – mas um “descolado” forçado. Hei aqui, na minha opinião o personagem mais genérico, raso e insalubre do mangá: Ricky.  Com motivações fúteis argumentos ridículos e comportamentos estereotipados; O roteirista provavelmente o utilizou como elo entro leitores jovens e os demais personagens, mas isso para alguns pode soar mais ofensivo do quê agradável ou funcional.

O estranho é justamente isso, diversas vezes elogiei a estrutura dos roteiros de animes como o Ghost Hunt e Ergo Proxy mas não funcionou organicamente em Marhawa Desire. “Mas você está comparando ANIMES E MANGÁS”, ok! Então funcionou em Ring O Chamado mas não nele.

Ricky é convidado pelo Professor Doug a acompanhá-lo em uma investigação na Marhawa colégio católico particular, que fora chamado por Madre Gracia, diretora local. Como descrito acima.

Chegando ao local, Ricky se dá conta que o colégio mais parece um cenário paradisíaco de ninfetas colegiais, e com isso uma sexualização excessiva na obra, um apelo ao erotismo sem sensualidade, que não é bem um problema se tivesse complementado por uma roteiro mais elaborado mas não foi o caso, e fica evidente.

Mas em se tratando de traço, letreiro e acabamento a revista faz um show. 

Imprimi um ambiente meio termo entre o gore e o visual limpo, variando no tom de acordo com os momentos, e isso não só no traço, a composição, organizações dos quadros e onomatópeias expressas compondo por vezes as próprias molduras e design são partes integrantes – acredito de que diversos mangás – e fazem bonito. Este ponto, inclusive, pensei que me incomodaria, por serem escritas em kanji e ao invés de dispersar pela falta da compreensão, foram tão bem posicionadas na composição que conseguia entender as sensações só pela forma. Não vejo como elas pudessem afetar negativamente a arte e com tempo se tornam mandatórias no estilo da narrativa rápida.

A anatomia mais realista imprimi um mundo mais factível, para histórias de horror funciona bem empaticamente para adaptar-se ao universo e facilitar os diferenciais de paradigmas. As pespectivas, sombras e posicionamento de “câmera” também segue uma linha comportada.

Você já viu essa imagem no jogo ?

Por vezes há a utilização fotomontagens que não agridem muito, talvez um ganho tempo, mas caso fossem criados poderia dar um ar mais original a obra como um todo; E com isso sumiria também o único ponto negativo – ao meu ver – da parte gráfica: o distanciamento quase inexistente das referências, que por motivos óbvios devem ser inspirados no designer de personagens da série oficial da capcom, mas copiar diretamente feito montagem?

O Formato ajudou um pouco no aumento de preço, já que o papel é um pouco mais simples e a capa tende a descolar em duas orelhas(pontas duplas) com o manuseio – o que é interessante notar já que historicamente mangás tem uma característica e leitura rápida e consumo quantitativo – acaba sendo um livro de bolso para degustação rápida e logo guardá-lo porém acaba sendo um pouco mais da metade do preço de um encaderno tipo Marvel Terror que tem um pouco menos de páginas mas um papel bem superior e colorido.

Um pouco decepcionado, mais pelo fato e não ter me antenado ao público alvo antes da compra, mas ainda sim curioso para acompanhar o segundo número.

[SPOILERS]

Aqui estão algumas questões que incomodam bastante, caso não tenha lido a obra ainda, NÃO LEIA essa seção.

  • Madre Garcia não é uma madre de facto, uma religiosa com formação formal advinda da igreja católica. No entanto ela parece não se incomodar de ostentar essa patente publicamente. O que JAMAIS a igreja católica permitiria, pelo menos não ABERTAMENTE assim. 

  • O Design de personagens é parte vital de toda industria criativa, e das quais os japoneses são mestres já que partem de um rosto genérico para um carnaval de cores e formatos nas vestes dos personagens e apesar deste mangá passar LONGE de um tradicional, parece ter aqui e ali um escorregada pelo non-sense: Merah Biji por exemplo, é uma militar mulher da B.S.A.A, e apesar de ser mulher alguns elementos são comuns à todos. Apesar de muitos acreditarem que o exército exigi cabelos curtos dos homens por uma questão de gosto pessoal ou postura tradicional, na verdade tem razões bem práticas: higiene em ambientes hostis de combates como florestas onde podem sofrer de um infestação de piolhos e a uma outra razão é o combate corpo-a-corpo que cabelos grandes podem ser utilizados pelo inimigo como ponto de apoio ao um golpe contrário. Você conhece alguma militar de combate de campo que use trancinhas? e botas desamarradas estilo all-star? elas são seguras nas pernas por motivos de segurança e proteção e não estéticas.
  • O Professor, Doug é mais fã do Chris que muitos jogadores da série. 😉

[HQ] Mesmo Delivery

•20 de setembro de 2012 • Deixe um comentário

Publicado em: Setembro de 2008
Número de páginas: 56
Formato: 18 x 12 cm | Colorida ( Creme, Cinza e Vermelho )
Preço: R$39,90

Muito tempo se passou desde o lançamento do mesmo em setembro de 2008 pela editora Desiderata (no Brasil) e muito foi debatido sobre a obra exultando sua qualidade e as demais façanhas de Rafael Grampá mas dada a sua referência quando desenhou capa para o quarto número para a HQ gringa Dead of Night Featuring Werewolf by Night #4 ( Marvel Max ) como o explicado aqui; Senti-me na obrigatoriedade de escrever sobre essa graphic novel.

 Mesmo Delivery é um conto de estrada. Conta a história do ex-boxeador Rufo que é contratado pela empresa homônimo da HQ para dirigir um caminhão carregando carga desconhecida, com duas únicas condições: Nunca abrir o contêiner e que fosse acompanhado pelo funcionário de confiança: Sangrecco, uma versão pulp de Elvis Presley.
São (na versão Brasileira) 56 páginas, formato 18×12, originalmente publicada nos Estados Unidos primariamente pela AdHouse Books, depois republicada pela Dark Horse junto com outros contratos que incluía a série Furry Water and The Sons of The Insurection. A Desiderata aproveitou-se de um bom momento de Rafael Grampá – merecidamente – pela premiação Eisner Award ao grupo de quadrinistas(da qual incluía-se o Rafael) da antologia “5” lançada independente no Brasil, Estados Unidos e Grécia. E os frutos de Mesmo Delivery ainda se extenderam por os Trófeus HQ Mix de Melhor Álbum Especial Nacional e Melhor Desenhista Nacional em 2009.

Há dois pontos bastantes interessante na obra, o primeiro é o roteiro e estilo de narração. A HQ começa por uma conversa informal em com um tom “calhorda” bastante provável a uma conversa de boleia. As duas personalidades, de Rufo e Sangrecco, degladiando sua empatia logo na sexta página. Rufos que mais parece um The Maxx da vida ou um personagem tirado de um game 80’s da Lucas Artes é um brutamontes de boné que ao inverso do que poderia a falta de visão de seu completo completo ser um traço de antipatia dá uma sensação de empatia pelo grandalhão atrapalhado. Ao lado um esguio canastrão baforando, poseado, e cheio de lorotas sobre ser um Elvis melhor que o original. Segue então um dia de uma viajem qualque recheada de violência gratuita, discursos cretinos cheios de testosterona, uma pitada pontual do fantástico sublime e … mais violência! . Tudo narrado de forma cinematográficas com enquadramentos únicos o que nos leva ao segundo ponto.

E este segundo ponto se deve aos grandes trunfos da obra: o traço parece um mistura da arte ukiyo-e – do japonês “imagens do mundo flutuante” uma espécie pinturas japonesas em blocos de madeira produzida entre os séculos 17 e 20 – com  Milo Manara(a cara da prostituta lembra a personagem Giuseppe Bergman de “As aventuras africanas de Giuseppe Bergman”), por vezes John Ridgway em Hellblazer/Constantine e o “acabamento” de Lorenzo Mutarelli(três vezes SALVE!), este último não por acaso pois é o mesmo que assina o prefácio da versão nacional, ainda há quem diga que este também apadrinhe artisticamente Rafael. Mas claro que guardado as devidas proporções não excede ao bizarro da obra de Mutarelli – pelo menos quanto ao personagens. 
Cenas de flashback estilo entrevistas e em primeira pessoa. Onomatopeias personificadas no fluxo da ação como se fosse parte integrante do próprio universo do cenário, o que bem foi lembrado pela crítica de Payl Montgomery do iFanboy como o estilo cartoon influenciado de  Max Fleischer(Popeye, Betty Boop), algo te lembra Scott Pilgrim ?
O universo está ambientado em algum buraco do tempo entre os anos 50 e 60 do que parece ser – deduzido apenas pelo nome dos personagens e outros pequenos detalhes – nos Estados Unidos. Artes pinups e um cuidado com a tipografia que emulam ainda mais o ambiente juntamente com a colorização com base em creme, vermelho vivo e cinza trazem ainda mais o ar nostálgico na revista. Outra sensação é de estar andando em um parque estadounidense qualquer de um pier antigo.

Talvez o único ponto da negativo é que 56 páginas não foram o suficiente para contar toda a história, ou ao menos ela merecia mais. Algo me dá aquela sensação de pagaria mais para tê-la concluída.

Versão Cinematográfica ?

Ao que tudo indica a detentora dos direitos cinematográficos da HQ, a RT Features  fará a incursão de uma obra de baixo custo com um desfecho para a HQ(olha ae! não disse?) sob a supervisão do próprio Rafael no roteiro, o projeto está sendo desenvolvido juntamente com a direção de Mauro Lima(Meu Nome Não é Johnny) e o produtor Rodrigo Teixeira.

A Ideia é manter um filme original e universalmente aceitável, já que muitos outros estúdios internacional mostraram interesse nas adaptações e muitas reuniões já foram feitas.

Um fato curioso é o hype de público que logo se adianta nas críticas com medo que o filme venha a ficar por demais americanizado, sem a identidade brasileira. Ai penso, será que estes leram a HQ ?

Flat-Life ( 2004 )

•19 de setembro de 2012 • Deixe um comentário

Certa vez, Vinícius de Moraes escreveu: “O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades…” e esta Quarta que deve seguir apinhada de todos os nossos afazeres peguei-me rindo abobalhado na madrugada por essa animação com uma composição convidativa as adaptações teatrais.

Este curta belga, fruto do trabalho de graduação de Jonas Geirnaert na KASK (Koninklijke Academie voor Schone Kunsten) – algo como Academia Real de Finas Artes – também na Bélgica e uma das mais antigas instituições de ensino superior com data que remonta 1771.
Diga-se de passagem um curta com um tom bem diferente do seu anterior The All-American Alphabet(2002) – uma crítica direta as eleições norte-americana contra a eleição de Bush; Naturalmente uma posição esperada de um dos membros de uma organização extrema-esquerda marxista chamada “Partido dos Trabalhadores da Bélgica”. E o que isso tem haver com a obra? Explicarei mais abaixo.

Flat-Life, animação de onze minutos, bem agitada e cômica de quatro apartamentos conjugados que “brigam” por uma existência plena e cheia dos seus trajeitosos moradores. Dividindo mais do que as paredes eles parecem não compreender a extensão da influência da sua vida na do outro.

A composição do cenário, as cores chapadas, os traços, as simplificações que me fazem lembrar os textos dos folhetins – referências essas que não descarto no datilografar dos diálogos, crônicas e as prosas também de uma Clarice Linspector sobre o dia-a-dia do homem comum. Um paradoxo do caos sintético que compartilhamos nos entulhados arranha-céus. A animação apesar de 2D ainda consegue brincar com o eixo z dando mais uma camada de interação com o universo a sua volta.

Acredito que esse olhar próximo do homem comum tenha sido influências de suas inclinações políticas e o desromantizar sem perder o brilho. E claro, os exageros e os artefatos bizarros da narrativa.

Em maio de 2004 ganhou o prêmio do Juri do Curta-Metragem no Festival de Filmes em Cannes. Uma curiosidade é que a cópia enviada possuía apenas os primeiros cinco minutos sonorizados – devido ao tempo de submissão e a obra ainda não estava concluso. Pouco depois, em 2005, Jonas veio a trabalhar em programas nacionais de comédia como Neveneffecten, com Lieven Scheire, Koen De Poorter e Jelle De Beulle; O mesmo grupo também responsável pelo BASTA uma crítica-show sobre as produções televisivas enfadonhas e posturas polêmicas das emissoras.

Compartilhe do Panda-Astronauta e sorria nesse dia.
   
         ( Após o término da propaganda clicar no canto superior direito no X )

FLAT-LIFE por Jonas Geirnaert

[HQ] Marvel Terror – Volume 1

•17 de setembro de 2012 • Deixe um comentário
Foi o mais sanguinolento massacre da cidade de Wisconsin..Um Fato muito impressionante, levando-se em conta que Ed Gein residiu neste estado.
– Dead of Night, Werewolf by Night 1

Marvel Terror – Volume 1
Publicado em: Novembro de 2010
Gênero: Terror
Número de páginas: 148
Formato: (17 x 26 cm)
Colorido/Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 17,90
Mais do que atrasado a postagem não poderia deixar de comentar os encadernados da Panini Comics que me fez acreditar novamente nos lançamentos voltados ao segmento de horror/terror nas bancas. Claro que não desmerecendo a presença da Vertigo – apenas fugindo um pouco da hegemonia.

Em pleno ano de 2010 não deixa de ser uma aposta das empresas investirem em material não digitalizados para divulgação de obras com foco em público tão segmentado que é o público de filmes tipo slashers e VHS like? Certo? Errado!
O público existe e não é difícil de encontrar os reboots e remakers de diversos títulos slashers das décadas de 70 à 90 para as nova audiência, então nada mais natural que um segmento em ascensão em determinado meio/mídia solavanque as dos demais. Marvel Terror faz isso. 
A Primeira edição do encadernado de 148 páginas que reúne 4 histórias( vide abaixo a listagem ) originalmente publicadas sob selo estadounidense MAX da Marvel ( Quando a editora decidiu quebrar a submissão dos trabalhos ao selo da Comics Code Authority, declarando assim que daria mais liberdades aos seus artistas, mas muito se comenta que não é um óbvio movimento para concorrer no mercado com revistas para o público adulto competido pelo selo Vertigo da DC ). Apesar de não ser uma regra, as histórias da MAX podem estar ligadas aos títulos sequenciais da editora, a exemplo do Motoqueiro Fantasma lançado mais a frente. Originalmente planejada para ser lançada no mês de Outubro, a revista acabou atrasada para Novembro, em formato americano (17 x 26), capa cartão lombada quadrada, papel LWC e com distribuição nacional.
Aqui no Brasil o selo era publicada pela própria Panini como Marvel MAX, acabou sendo descontinuada em junto de 2010 e então sendo anunciada que seriam lançadas em especiais, como esta edição a qual falamos.
Apesar da falta de um editorial – o que seria uma excelente oportunidade de contato com o leitor e introdução ao a série Marvel Terror – acabamos sendo jogados direto ao ponto. Há um índice também, os números estão no centro das páginas – com a ressalva por estarem bastante prejudicadas a visualização em páginas de fundo escuro. Felizmente, como é de natureza dos encadernados as histórias procedem por suas capas dando uma noção de rápida consulta para cada capitulo / história a partir da própria lateral ou mesmo rápida consulta; ou seja não é nem mesmo um real problema.
O lobisomem – Está No Sangue.
Roteiro: Duane Swierczynski
Arte: Mico Suayan
Cores: Ian Hannin
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, Warren Simons
Publicada originalmente em: Dead of Night: Werewolf By Night (2009) n° 1/2009, n° 2 /2009, n° 3 /2009, n° 4 /2009 – Marvel Comics
A mais longa dentre as histórias e se extendeu por 4 volumes originalmente, aqui segue como a primeira história em sequência. Escrita por Duane Swierczynski, responsável também pela Cable(X-Men),também pela história oneshot de “Force of Nature” para O Justiceiro(Punisher), e ainda os direitos de Severance Package comprados pela Lions Gate para adaptação de filme. 
O traço ficou por conta de Mico Suayan, que também já trabalhou com Duane e Jason Aaron em revistas como a The Immortal Iron Fist e na própria Cavaleiro da Lua(Moon Knight) de onde o personagem principal da primeira história do encadernado Jack Russell( Jacob Russoff ) surgiu como coadjuvante para o herói. Inclusive a nova fase de Cavaleiro da Lua estava sendo públicada nos mix  Marvel Action pela Panini em janeiro de 2007 e descontinuada em outubro de 2009.
(Re)Conta a história de Jack Russell que carrega a cruz e o segredo negro de ser um lobisomem que em noites de lua cheia toma o controle de seu corpo e o faz cometer crimes hediondos. Jack, então futuro pai de família, pretende lutar com todas as forças afim de controlar a besta dentro de si, mas diversos elementos obscuros de seu passado dão sinais de que as cousas não serão tão fáceis assim. 
Não para menos que a história possua uma ritmo de narrativa semelhante a um conto policial, dado a experiência das publicações de Duane como em Secret Dead Man  e o traço de Mico Suayan obviamente já acostumado ao personagem nas hqs do Moon Kinght, o que de vez por outra me lembra aqui e ali o traço estilo IMAGE, um pouco mais “sujo” em alguns momentos e em outros polidos até demais. O gore dão a pitada de seriedade no tom do conto, a relação entre a besta e Russell deveria ter um universo próprio mais significativo, apesar de que em muitos momentos o peso da relação está expressa na forma noir.
Para muitos o estilo de narração que tem “dois pés” no flashbacks, um pé no presente e meio pé na angústia do futuro pode ser moroso demais; mas é vital que os pontos interliguem para compreendemos a extensão do dano na psique de Jack sem a revista se perca só na violência gratuita. Um único ponto negativo que tenho de concordar com alguns leitores críticos é a falta de coesão no aparecimento e morte de alguns coadjuvantes muito rápido sem maiores explicações que os ligariam ao plot principal.   
A narração está de acordo com o proposta por Duane, sem grandes reviravoltas ou inovações, faz o arroz com feijão do terror.

As capas estão estranhamente com os créditos errados, segue aqui a correção:
Capas: Edição 1: Patrick Zircher | Edição 2: Mico Suayan  | Edição 3:  Mico Suayan | Edição 4: Rafael Grampá.
Garota do Interior – Um Conto do Lobisomem
Roteiro: Mike Carey
Desenho: Greg Land
Arte-Final: Jay Leisten
Cores: Justin Ponsor
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em Legion of Monsters: Werewolf By Night (2007) n° 1/2007 – Marvel Comics
Escrita por Mike Carey que dentre outros trabalho está o indicado à Eisner o Lucifer (publicado no Brasil pela Brainstore) e outras trabalhos fora do eixo com bandas de metal como Pantera e uma biografia em forma de HQ do Ozzy Osbourne. Aqui um conto de treze páginas em um ritmo acelerado, sobre a jovem Rhona, uma jovem licantropa – de toda uma família – que optou por uma vida isolada e de contenção a sua natureza. Não o suficiente viver em um estado de eterna negação, Rhona, ainda tem de lidar com o preconceito violento da cidade com ares de racismo – típicos de um pensamento provincial e atrasado. Este por sua vez ilustrados pelo polêmico Greg Land ( Birds of Prey, Quarteto Fantástico ) que por vezes dá razão aos seus detratores com certas expressões faciais esquisitas para o momento – a exemplo de Rhona cercada no meio do bar.
Spoilers –
Pela natureza rápida do conto, fica algo meio incomodo como a personagem vai do ponto A de total introspecção a “aceito minha natureza” na garupa de um lobisomem desconhecido. Será que não é o famigerado sentimento de familiaridade entre a raça dos licantropos ? infelizmente a história era curta demais para explicar esse aspecto. E qualquer crítica nesse sentido seria fruto de especulação.
  
Amor Fúnebre
Roteiro e Arte: Ted McKeever 
Cores: Chris Chuckry
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em Legion of Monsters Man-Thing n° 1/2007 – Marvel Comics
Sabe a grata surpresa independente ? É essa! E como dizeres acertados do subtítulo: “Uma história de Simon Garth: O Zumbi“. Conta a história de Simon, obviamente, um zumbi que é retirado dos escombros de uma explosão. Até então o traço de  Ted McKeever já dá o tom de um mundo “torto” e caricato. Mas ao invés de desbocar no estranho e animalesco/carnavalesco semiótico, o roteiro imprimi os dois pés na crônica com marcas já estabelecidas por este artista com renome e experiência – vide a série Eddy Current, um humor negro e ácido com a poesia intrínseca e honesta sem forçar a barra ou parece sintética demais. Ted McKeever nós deu um brinde de treze páginas com um maldito sabor de quero mais. 

A história serve como uma introdução do personagem aos moldes que faziam com personagens desconhecidos ao público em títulos já estabelecidos. Mas como Simon não é um herói tradicional, ou não tem necessidades de tal, focado em público adulto seria um excelente personagem para as mais diversas histórias sem sequências muito longas.

Para ser um monstro
Roteiro e Arte: Skottie Young
Letrista: Donizete Amorim – ‘Don Dutch’
Tradutor: Fernando Bertacchini
Editor original: Joe Quesada, John Barber
Publicada originalmente em Legion of Monsters: Werewolf By Night (2007) n° 1/2007 – Marvel Comics
Outro conto na linha Universal Monsters, apoderando-se do plot de Frankstein ( Mary Shelley ) para passar um outro conceito poetizado. Ou seja um conto-conceito. Talvez um protótipo, ou um ensaio para a criação de uma obra realmente autoral. Tanto que Skottie Young consegue alcançar nas treze páginas da HQ uma estrutura hermética suficiente para alcançar os pontos chaves da história e passar isso ao leitor. Claro que o tema poderia ter sido explorado mais amplamente se fosse uma história mais longa e nos fazer mais simpatizados com o monstro em si ou ojeriza suficiente.
O traço de Skottie Young já é conhecido por ser mais infantil e puxado para o cômico, como foi e deveria ser em obras como série The Wonderful Wizard of Oz – Marvel Classics com textos de Frank Baum, mas ele fez um honesto esforço rumo ao terror e o resultado foi um  bastante comportada e polida – apesar de aparente briga de sombras e siluetas.
No geral o conto parece mais um spinoff de Van Helsing aos olhos dos monstros, ou uma  crônica dos assuntos internos da Igreja Católica medieval.  Um plot twist e uma conclusão na sintonia do conto anterior, ou seja seguiu o ritmo no editorial.
Considerações Finais
Capa por Rafael Grampá
Problemas apresentados são da natureza do próprio desafio aos encadernados, como histórias seguintes dedicando quadros e páginas a recapitulação da história anterior: obviamente por que originalmente foram publicadas separadas é plausível que tenha uma pequena recapitulação orientando o leitor que por ventura tenha saltado um número; Porém mesmo isso é algo quase imperceptível e em alguns dos volumes nem mesmo se faz presença. Ou seja não é um REAL problema, apenas um detalhe.
A tradução fora por completa feita por Fernando Bertacchini integrante da Mythos Editora que também foi editor das revistas e volta do Conan as bancas. Sem dúvida um excelente trabalho já que não forçou nem uma maneirismo de linguagem afim de adaptar-se a “nova” audiência. Deixando ainda mais próximo do português direto dos 80’s.
Um outro detalhe que vale ressaltar é que no quarto número da revista publicada no Estados Unidos foi a capa criada por Rafael Grampá, desenhista prêmiado com Eisner pela HQ: Mesmo Delivery. Muitos queriam que essa fosse a capa principal do encadernado na edição brasileira – que acabou sendo escolhida a da própria primeira edição desenhada por Patrick Zircher; mas ela está presente sim dentro da revista junto com as demais capas separando – como dito anteriormente – as edições dentro da própria revista – e estranhamente os créditos das capas estão erradas(?) – corrigindo-as coloquei-as acima de acordo com o site CBR. Infelizmente a capa traseira da HQ recebeu as duas criaturas mais famosas – ala Universal Monsters – mercia a adição do personagem Simon Garth, com certeza.
O preço de capa R$ 17,90 o que dá por volta de R$ 4,48 (arredondado para cima) por história – sendo que a primeira corresponde a 93 páginas, e 13 cada uma das outras restantes. O que é um pouco acima do poder aquisitivo brasileiro médio de HQs, mas justo próximo ao cobrado no preço americano.
Links:

[ A Sorrowful Dream ] – Toward Nothingness (Full Lenght)

•6 de setembro de 2012 • Deixe um comentário
Toward Nothingness

O Estilo gothic/doom sempre foi uma vertente dentro do universo do Metal das mais aceita amplamente por diversas razões e não quão poderiamos deixar de explorar o mundo e seu niilismo gritante que absorve os dias das novas gerações e sempre que analisamos sem muito esforço: todo o glamour dos dias modernos e suas facetas não conseguem esconder o profundo vazio e marasmo que humanidade se arrasta, sem reagir.

A Banda brasileira “A Sorrowful Dream” expressa através de suas lamúrias o gothic metal à altura de muitas bandas estrangeiras que já ganharam o seu espaço em grandes gravadoras, e sem dúvida ultrapassa algumas delas.

Formado por Éder(voz), Josie(voz), Jô(guitarra), Lucas(guitarra/violino), Mari(teclado), Tuko(baixo) e o baterista convidado Mano.

Como a própria banda explica o seu som como “baseados na cena européia dos anos 90s”, o que sinto a influência direta da banda norueguesa Tristania do tempo de Morten Veland lá por Widow’s Weed(98) e Beyond The Veil(99)  mais especificamente este último; e as mudanças rítmicas de outras influências como Theatre of Tragedy(antes da sua fase eletrônica). Diversas comparações ao timbre de Éder foram feitas, mas se as 3 vocais masculinos que ouvimos no CD foram gravadas por ele; tem uma versatilidade honesta, e a que mais encontro semelhança quando vocal clean é a do Fernando Ribeiro(Moonspell) me assusta algumas vezes a semelhança. As vezes o uso pode ficar um pouco abusivo do vocal clean contrapondo as partes que o mesmo tem A PERSONALIDADE da música, e fica perdido em meio a tantos tons. É só mandar o recado com o clean que já tem presença garantida, Éder.

A voz de Josie , na minha opinião,  ficou uma pouco comprometida pela mixagem na gravação, mas sem sombra de dúvida concordo com o pessoal da Rodie Crew, coloca no chinelo muita menininha que está querendo dar uma de vocalista – me arrisco dizer que inclusive pede comparações à Vibeke Stene, tranquilamente. Sua voz cadenciando a de Éder, e por vezes a segunda voz do mesmo(harsh / growl) e as de black style fora as clean fazem a parceria perfeita, até mesmo esse pouco explorado recurso magnífico das vozes em tempos distintos – usualmente o “à capela” se tornam uma marca única; exemplo disso: Timeless.

Por si o somatório desses fatores tornam a banda única, e eles ainda conseguem fugir dos exageros climáticos que alguns bandas do gênero acabam sendo sugadas, o teclado de Mari está sóbrio e martela quando preciso na galgada dando a graça não interrompendo ainda o compasso e sim reforçando, como alguém que toma da mãos o archote do companheiro de corrida e passa para o outro lado e assim a música vai e volta sem solavancos.

E a banda caprichou em todos os detalhes, só senti falta de uma altivez maior do baixo de Tuko, talvez as porcarias dessas minhas caixas sem woofer digno me fez sentir falta. E se nos 28 segundos do Timeless entrasse mais encorpado com o baixo mais alto e quase em groove?

Vamos ver se conseguimos uma oportunidade da banda tocar aqui por terra cearense.

tracklist:

1. Last Whisper from a Winter Gale
2. The River that Carries my Loss
3. Body, Mercy and Madness
4. The Bringer of Light
5. Empire on Fire
6. Timeless
7. Tree of Lies
8. Harpies (for the love of the god)
9. A Sorrowful Dream (bonus track)

http://www.myspace.com/asorrowfuldream
http://www.asorrowfuldream.com/